E quando não havia smartphones

Nem selfies... nem candidatos a fotógrafos por todo o lado, lembram-se?



Dei comigo a pensar nisto, hoje, não que me mova algo contra as chamadas ‘novas’ tecnologias mas sim porque a sua democratização acelerada dá cabo do sossego de muitos...!

 Senão reparem: início da tarde numa esplanada à beira Mondego, num domingo que, como o rio ali ao lado, corre devagar. Até que, duas mesas à frente, se sentam duas mulheres. Café despachado e uma delas, eléctrica nos modos e no estar, desafia a amiga a tirar-lhe uma fotografia. Ou duas. Ou umas centenas... como adiante se verá!

 Atentei à falta de à-vontade da fotógrafa de ocasião em lidar com o smartphone da amiga. Já aconteceu a todos! Se calhar também era falta de jeito. E não viria mal ao mundo, não fosse a função ter-se transformado num pesadelo, bastante audível em redor!

 Aparentemente, a retratada é exímia na fotografia, tal as indicações que não se cansava de dar à amiga (e também já lá vamos a estas). Mas dificilmente o é na educação com que (des)trata os outros, mesmo sendo os outros seus amigos e lhe estarem, obviamente, a fazer um favor!

 Como as fotos não estavam do seu agrado - a ‘modelo’ também não era especialmente fotogénica, essa é que é essa - assistimos (eu, os colaboradores do espaço e a esplanada inteira, à força, bem entendido) a uma sucessão, em alta-voz, de indicações assim e assado: “As coisas são no meio, não é de lado”. “Tira daqui [aponta para o peito] para cima”. “Só a cara”. “Estou no meio? Põe-me no meio!”. “Quero aqui”. “Não vás tão longe”. “Não estás a tirar”.

 Já estão cansados? Não, ainda não acabou...

 Estive vai não vai para me oferecer a tirar uma fotografia (ou duas, ou três) só para acabar com aquele espectáculo deprimente. E não fui o único a ter essa ideia! A própria amiga mencionou-o, a medo, mas nada demoveu a ‘modelo’ de continuar a sessão como bem entendeu!

A ‘coisa’ durou longos 20 minutos (e continuou rua fora, felizmente longe dos meus ouvidos)! É que a senhora devia achar que estava em casa dela, tal os decibéis, em crescendo, com que os pedidos se transformaram, rapidamente, em ordens! Mas também em lamentos: “Fogo, estás a fazer de mim burra!”. “Enervas um morto”. “Não há paciência”!

Tem razão, minha senhora. Agora tem toda a razão! Não há paciência nenhuma! Para a aturar! Pessoas assim deviam vir com livro de reclamações...! Fica a ideia...!

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